MeditaÁ„o diŠria de Falar com Deus, Francisco FernŠndez Carvajal

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Sexta-feira, 23 de Junho de 2017 


MeditaÁ„o dia seguinte de Falar com Deus
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24 DE JUNHO

55. NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA

Solenidade

‚Äď A miss√£o do Batista.

‚Äď A nossa miss√£o: preparar os cora√ß√Ķes para que Cristo possa entrar neles.

‚Äď Oportet illum crescere... Conv√©m que Cristo cres√ßa mais e mais na nossa vida e que diminua a estima pr√≥pria.

Esta solenidade era celebrada já no século IV. João, filho de Zacarias e Isabel, parente da Virgem, é o Precursor de Jesus Cristo, e coloca a serviço dessa missão toda a sua vida, cheia de austera penitência e de zelo pelas almas. Como Ele próprio nos disse: Convém que Ele cresça e eu diminua. Esse é também o processo que deve verificar-se na vida de todo o fiel cristão.

I. HOUVE UM HOMEM enviado por Deus, de nome Jo√£o. Veio para dar testemunho da luz e preparar para o Senhor um povo bem disposto1.

Santo Agostinho faz notar que ‚Äúa Igreja celebra o nascimento de Jo√£o como algo sagrado, e √© o √ļnico nascimento que se festeja: celebramos o nascimento de Jo√£o e o de Cristo‚ÄĚ2. √Č o √ļltimo Profeta do Antigo Testamento e o primeiro que indica o Messias. O seu nascimento ‚Äúfoi motivo de alegria para muitos‚ÄĚ3, para todos aqueles que pela sua prega√ß√£o conheceram a Cristo; foi a aurora que anuncia a chegada do dia. Por isso S√£o Lucas faz constar expressamente a √©poca em que o Batista iniciou a sua miss√£o, num momento hist√≥rico bem determinado: No ano d√©cimo quinto do reinado de Tib√©rio Cesar, sendo governador da Jud√©ia P√īncio Pilatos, tetrarca da Galil√©ia Herodes...4 Jo√£o representa a linha divis√≥ria entre os dois Testamentos. A sua prega√ß√£o foi o come√ßo do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus5. E o seu mart√≠rio, um press√°gio da Paix√£o do Salvador6. Contudo, ‚ÄúJo√£o era uma voz passageira; Cristo √© a palavra eterna desde o princ√≠pio‚ÄĚ7.

Os quatro Evangelistas n√£o duvidam em aplicar a Jo√£o o bel√≠ssimo or√°culo de Isa√≠as: Eis que eu envio o meu mensageiro para que te preceda e te prepare o caminho. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas8. O Profeta refere-se em primeiro lugar ao regresso dos judeus √† Palestina, depois do cativeiro da Babil√īnia: v√™ Jav√© como rei e redentor do seu povo, depois de tantos anos no desterro, caminhando √† sua frente pelo deserto da S√≠ria para conduzi-lo com firmeza √† p√°tria. Conforme o antigo costume do Oriente, √© precedido por um arauto, que anuncia a proximidade da sua chegada e faz com que se preparem os caminhos, de que ningu√©m naqueles tempos costumava cuidar a n√£o ser em circunst√Ęncias muito relevantes. Esta profecia, al√©m de se ter cumprido com o fim do cativeiro, viria a ter um segundo cumprimento, mais pleno e profundo, ao chegarem os tempos messi√Ęnicos. O Senhor tamb√©m teria o seu arauto na pessoa do Precursor, que o precederia preparando os cora√ß√Ķes para a sua vinda9.

Contemplando hoje a grande figura do Batista, que cumpriu t√£o fielmente a sua miss√£o, podemos pensar se tamb√©m n√≥s aplainamos os caminhos do Senhor, para que Ele entre na alma dos nossos amigos e parentes que ainda est√£o longe da sua amizade, e para que os que est√£o pr√≥ximos se d√™em mais generosamente. N√≥s, crist√£os, somos os arautos de Cristo no mundo de hoje. ‚ÄúO Senhor serve-se de n√≥s como tochas, para que essa luz ilumine... Depende de n√≥s que muitos n√£o permane√ßam nas trevas, mas andem por caminhos que levam at√© √† vida eterna‚ÄĚ10.

II. A MISS√ÉO DE JO√ÉO caracteriza-se sobretudo por ser o Precursor, aquele que anuncia outro: Veio para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por ele. Ele n√£o era a luz, mas veio para dar testemunho da luz11. Assim diz no in√≠cio do seu Evangelho aquele disc√≠pulo que conheceu Jesus gra√ßas √† prepara√ß√£o e √† indica√ß√£o expressa que recebeu do Batista: No dia seguinte, achando-se Jo√£o outra vez com dois dos seus disc√≠pulos, fixou os olhos em Jesus que passava e disse: Eis o Cordeiro de Deus. Ouvindo as suas palavras, os dois disc√≠pulos seguiram Jesus12. Que grandes recorda√ß√Ķes e que imenso agradecimento n√£o teria o Ap√≥stolo S√£o Jo√£o quando, quase no fim da vida, evocava no seu Evangelho aquele tempo passado junto do Batista, que foi instrumento do Esp√≠rito Santo para que conhecesse Jesus, seu tesouro e sua vida!

A prega√ß√£o do Precursor estava em perfeita harmonia com a sua vida austera e mortificada: Fazei penit√™ncia ‚Äď clamava sem descanso ‚Äď, porque o reino dos C√©us est√° pr√≥ximo13. Tais palavras, corroboradas pela sua vida exemplar, causaram uma forte impress√£o em toda a regi√£o, e em breve Jo√£o se viu rodeado por um numeroso grupo de disc√≠pulos, dispostos a ouvir os seus ensinamentos. Um forte movimento religioso sacudiu toda a Palestina. As multid√Ķes, como agora, estavam sedentas de Deus, e a esperan√ßa do Messias era muito viva. S√£o Mateus e S√£o Marcos sublinham que iam ter com Jo√£o pessoas de todos os lugares: de Jerusal√©m e das outras aldeias da Jud√©ia14, como tamb√©m da Galil√©ia, pois os primeiros disc√≠pulos que Jesus encontrou eram galileus15. Diante dos enviados do Sin√©drio, Jo√£o d√°-se a conhecer com as palavras de Isa√≠as: Eu sou a voz que clama.

Com a sua vida e as suas palavras, Jo√£o deu testemunho da verdade: sem covardias perante os que ostentavam o poder, sem se deixar afetar pelos louvores das multid√Ķes, sem ceder √†s cont√≠nuas press√Ķes dos fariseus. Deu a vida em defesa da lei de Deus contra todas as conveni√™ncias humanas: N√£o te √© l√≠cito ter a mulher do teu irm√£o16, disse a Herodes.

A for√ßa de Jo√£o era pouca para conter os desvarios do tetrarca, e o alcance da sua voz muito limitado para preparar para o Messias um povo bem disposto. Mas a palavra de Deus ganhava for√ßa nos seus l√°bios. Na segunda Leitura da Missa17, a liturgia aplica ao Batista as palavras do Profeta: Tornou a minha boca semelhante a uma espada afiada, cobriu-me com a sombra da sua m√£o. Fez de mim uma flecha penetrante, guardou-me na sua aljava. E enquanto Isa√≠as pensa: Foi em v√£o que padeci, foi em v√£o que gastei as minhas for√ßas, o Senhor diz-lhe: Vou converter-te em luz das na√ß√Ķes, para propagar a minha salva√ß√£o at√© os confins da terra.

O Senhor deseja que o anunciemos por meio da nossa conduta e da nossa palavra no ambiente em que nos desenvolvemos, ainda que nos pare√ßa que esse apostolado n√£o tem grande alcance. A miss√£o que o Senhor nos encomenda atualmente √© a mesma de Jo√£o: preparar os caminhos, sermos seus arautos, os que o anunciam aos cora√ß√Ķes. A coer√™ncia entre a doutrina e a conduta √© a melhor prova da validade daquilo que proclamamos; e √©, em muitas ocasi√Ķes, a condi√ß√£o imprescind√≠vel para falarmos de Deus √†s almas.

III. A MISS√ÉO DO ARAUTO √© desaparecer, ficar em segundo plano quando chega aquele que foi anunciado. ‚ÄúTenho para mim ‚Äď diz S√£o Jo√£o Cris√≥stomo ‚Äď que por isso foi permitida quanto antes a morte de Jo√£o, para que, desaparecido ele, todo o fervor da multid√£o se dirigisse para Cristo, ao inv√©s de se repartir entre os dois‚ÄĚ18. Um erro grave de qualquer precursor seria deixar que o confundissem com aquele que esperam, ainda que fosse por pouco tempo.

Uma virtude essencial em quem anuncia Cristo √©, pois, a humildade. Dos doze Ap√≥stolos, cinco, conforme men√ß√£o expressa do Evangelho, tinham sido disc√≠pulos de Jo√£o. E √© muito prov√°vel que os outros sete tamb√©m o fossem; ao menos, todos eles o tinham conhecido e podiam dar testemunho da sua prega√ß√£o19. No apostolado, a √ļnica figura que deve ser conhecida √© Cristo. Ele √© o tesouro que anunciamos e √© a Ele que temos de levar os outros.

A santidade de Jo√£o, as suas virtudes rijas e atraentes, a sua prega√ß√£o..., tinham contribu√≠do para que pouco a pouco ganhasse corpo a id√©ia de que era ele o Messias esperado. Profundamente esquecido de si mesmo, Jo√£o s√≥ deseja a gl√≥ria do seu Senhor e do seu Deus; por isso protesta abertamente: Eu vos batizo em √°gua, mas eis que est√° para chegar outro mais forte do que eu, a quem n√£o sou digno de desatar a correia das sand√°lias; Ele vos batizar√° no Esp√≠rito Santo e no fogo20. Jo√£o, diante de Cristo, considera-se indigno de prestar-lhe os servi√ßos mais humildes, reservados ordinariamente aos escravos de √≠nfima categoria: trazer e levar as sand√°lias, desatar-lhes as correias. Diante do Batismo institu√≠do pelo Senhor, o seu n√£o √© sen√£o √°gua, s√≠mbolo da limpeza interior que deveriam efetuar nos seus cora√ß√Ķes aqueles que esperavam o Messias. O Batismo de Cristo √© o do Esp√≠rito Santo, que purifica √† semelhan√ßa do fogo21.

Olhemos novamente para o Batista: um homem de caráter firme, como Jesus recorda à multidão: Que saístes a ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento? O Senhor sabia, e as pessoas também, que a personalidade de João não se compaginava com a falta de caráter. A humildade não é falta de caráter, mas hombridade enérgica que se apaga diante do Senhor, porque sabe que é Ele que produz em nós o querer e o agir22.

Quando os judeus foram dizer aos disc√≠pulos de Jo√£o que Jesus reunia mais disc√≠pulos que o seu mestre, e o coment√°rio chegou aos ouvidos do Batista, este respondeu: Eu n√£o sou o Messias, mas fui enviado adiante dEle... √Č necess√°rio que Ele cres√ßa e eu diminua23. Esta √© a tarefa da nossa vida: que Cristo tome conta do nosso viver. Conv√©m que Ele cres√ßa... Ent√£o a nossa felicidade n√£o ter√° limites, pois poderemos dizer com o Ap√≥stolo: Eu vivo, mas n√£o sou eu; √© Cristo que vive em mim24. Na medida em que Cristo for penetrando mais e mais nas nossas pobres vidas, a nossa alegria ser√° irreprim√≠vel.

Pe√ßamos ao Senhor, com o poeta: ‚ÄúQue eu seja como uma flauta de cana, simples e oca, onde s√≥ Tu possas soprar. Ser somente a voz de outro que clama no deserto‚ÄĚ. Ser a tua voz, Senhor, no meio do mundo, no ambiente e no lugar onde queres que transcorra a minha vida.

(1) Jo 1, 6-7; Lc 1, 17; Antífona de entrada da Missa do dia 24 de junho; (2) Liturgia das Horas, Segunda leitura, ib.; Santo Agostinho, Sermão 293, 1; (3) Prefácio, ib.; (4) cfr. Lc 3, 1 e segs.; (5) cfr. Mc 1, 1; (6) cfr. Mt 17, 12; (7) Santo Agostinho, op. cit., 3; (8) Mc 1, 2; (9) cfr. L. Cl. Fillion, Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, 8ª ed., Fax, Madrid, 1966, pág. 260; (10) Josemaría Escrivá, Forja, n. 1; (11) Jo 1, 6; (12) Jo 1, 29-30; (13) Mt 3, 2; (14) cfr. Mt 3, 5; Mc 1, 1-5; (15) cfr. Jo 1, 40-43; (16) Mc 6, 18; (17) Is 49, 1-6; Segunda leitura, ib.; (18) São João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de São João, 29, 1; (19) cfr. At 1, 22; (20) Jo 3, 15-16; (21) cfr. São Cirilo de Alexandria, Catequese, 20, 6; (22) cfr. Fil 2, 13; (23) cfr. Jo 3, 27-30; (24) Gal 2, 20.



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