MeditaÁ„o diŠria de Falar com Deus, Francisco FernŠndez Carvajal

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Quarta-feira, 24 de Maio de 2017 


MeditaÁ„o dia seguinte de Falar com Deus
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TEMPO PASCAL. ASCENSÃO DO SENHOR

86. JESUS ESPERA-NOS NO C√ČU

‚Äď A exalta√ß√£o de Cristo glorioso culmina neste mist√©rio.

‚Äď A Ascens√£o fortalece e estimula o nosso desejo de alcan√ßar o C√©u. Fomentar esta esperan√ßa.

‚Äď A Ascens√£o e a miss√£o apost√≥lica do crist√£o.

I. SEGUNDO O EVANGELHO de S√£o Lucas, o √ļltimo gesto de Jesus Cristo na terra foi uma b√™n√ß√£o1. Os Onze tinham partido da Galil√©ia e ido ao monte que Jesus lhes indicara, o monte das Oliveiras, perto de Jerusal√©m. Os disc√≠pulos, ao verem novamente Aquele que havia ressuscitado, adoraram-no2, prostraram-se diante dEle como seu Mestre e seu Deus. Agora est√£o muito mais profundamente conscientes daquilo que j√° muito tempo antes tinham no cora√ß√£o e haviam confessado: que o seu Mestre era o Messias3.

O Mestre fala-lhes com a majestade própria de Deus: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra4. Jesus confirma a fé dos que o adoram e ensina-lhes que o poder que irão receber deriva do próprio poder divino. A faculdade de perdoar os pecados, a de renascer para uma vida nova mediante o Batismo... são o próprio poder de Cristo que se prolonga na Igreja. Esta é a missão da Igreja: continuar para sempre a obra de Cristo, ensinar aos homens as verdades sobre Deus e as exigências que essas verdades trazem consigo, ajudá-los com a graça dos sacramentos... Jesus diz-lhes: O Espírito Santo descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.

Dizendo isto, elevou-se da terra à vista deles, e uma nuvem o ocultou5. Assim nos descreve São Lucas a Ascensão na primeira leitura da Missa de hoje.

Foi-se elevando pouco a pouco. Os Ap√≥stolos permaneceram um longo tempo olhando para Jesus que ascendia ao c√©u com toda a majestade, enquanto lhes dava a √ļltima b√™n√ß√£o, at√© que uma nuvem o ocultou. Era a nuvem que acompanhava a manifesta√ß√£o de Deus6: ‚ÄúEra um sinal de que Jesus tinha entrado j√° nos c√©us‚ÄĚ7.

A vida de Jesus na terra n√£o termina com a sua morte na Cruz, mas com a Ascens√£o aos c√©us. √Č o √ļltimo mist√©rio da vida do Senhor aqui na terra. √Č um mist√©rio redentor, que constitui, com a Paix√£o, a Morte e a Ressurrei√ß√£o, o mist√©rio pascal. Convinha que os que tinham visto Cristo morrer na Cruz, entre os insultos, desprezos e esc√°rnios, fossem testemunhas da sua exalta√ß√£o suprema. Cumprem-se agora diante dos seus olhos as palavras que um dia o Senhor lhes tinha dito: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus8.

Contemplamos a Ascens√£o do Senhor aos c√©us no segundo mist√©rio glorioso do Santo Ros√°rio. ‚ÄúJesus foi para o Pai. ‚Äď Dois anjos de brancas vestes se aproximam de n√≥s e nos dizem: Homens da Galil√©ia, que fazeis olhando para o c√©u? (Act., I, 11)

‚ÄúPedro e os restantes voltam para Jerusal√©m ‚Äď cum gaudio magno ‚Äď com grande alegria (Luc., XXIV, 52). ‚Äď √Č justo que a Santa Humanidade de Cristo receba a homenagem, a aclama√ß√£o e a adora√ß√£o de todas as hierarquias dos Anjos e de todas as legi√Ķes dos bem-aventurados da Gl√≥ria‚ÄĚ9.

II. ‚ÄúHOJE N√ÉO S√ď FOMOS constitu√≠dos possuidores do para√≠so ‚Äď ensina S√£o Le√£o Magno nesta solenidade ‚Äď, mas com Cristo ascendemos, m√≠stica mas realmente, ao mais alto dos c√©us, e conseguimos por Cristo uma gra√ßa mais inef√°vel que a que hav√≠amos perdido‚ÄĚ10.

A Ascensão fortalece e estimula a nossa esperança de alcançarmos o Céu e incita-nos constantemente a levantar o coração a fim de procurarmos as coisas que são do alto, como nos sugere o Prefácio da Missa. Agora a nossa esperança é muito grande, pois o próprio Cristo foi preparar-nos uma morada11.

O Senhor est√° j√° no C√©u com o seu Corpo glorificado, com os sinais do seu Sacrif√≠cio redentor12, com as marcas da Paix√£o que Tom√© p√īde contemplar e que clamam pela salva√ß√£o de todos n√≥s. A Humanidade Sant√≠ssima do Senhor tem j√° no C√©u o seu lugar natural, mas Ele, que deu a sua vida por cada um, espera-nos ali. ‚ÄúCristo espera-nos. Vivemos j√° como cidad√£os do c√©u (Phil III, 20), sendo plenamente cidad√£os da terra, no meio das dificuldades, das injusti√ßas, das incompreens√Ķes, mas tamb√©m no meio da alegria e da serenidade que nos d√° sabermo-nos filhos amados de Deus [...]. E se, apesar de tudo, a subida de Jesus aos c√©us nos deixar na alma um travo de tristeza, recorramos √† sua M√£e, como fizeram os Ap√≥stolos: Tornaram ent√£o a Jerusal√©m... e oravam unanimemente... com Maria, a M√£e de Jesus (Act I, 12-14)‚ÄĚ13.

A esperan√ßa do C√©u encher√° de alegria o nosso peregrinar di√°rio. Imitaremos os Ap√≥stolos que ‚Äútiraram tanto proveito da Ascens√£o do Senhor que tudo quanto antes lhes causava medo, depois se converteu em gozo. A partir daquele momento, elevaram toda a contempla√ß√£o das suas almas √† divindade que est√° √† direita do Pai; a perda da vis√£o do corpo do Senhor n√£o foi obst√°culo para que a intelig√™ncia, iluminada pela f√©, acreditasse que Cristo, mesmo descendo at√© n√≥s, n√£o se tinha afastado do Pai e, com a sua Ascens√£o, n√£o se separou dos seus disc√≠pulos‚ÄĚ14.

III. ENQUANTO OLHAVAM atentamente para o céu à medida que Ele se afastava, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco que lhes disseram: Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Este Jesus que acaba de vos deixar para subir ao céu voltará do mesmo modo que o vistes subir15.

“Tal como os Apóstolos, ficamos meio admirados, meio tristes ao ver que Ele nos deixa. Na realidade, não é fácil acostumarmo-nos à ausência física de Jesus. Comove-me recordar que Jesus, num gesto magnífico de amor, foi-se embora e ficou; foi para o Céu e entrega-se a nós como alimento na Hóstia Santa. Sentimos, no entanto, a falta da sua palavra humana, da sua forma de atuar, de olhar, de sorrir, de fazer o bem. Gostaríamos de voltar a vê-lo de perto, quando se senta à beira do poço, cansado da dura caminhada (cfr. Jo 4, 6), quando chora por Lázaro (cfr. Jo 11, 35), quando se recolhe em prolongada oração (cfr. Lc 6, 12), quando se compadece da multidão (cfr. Mt 15, 32; Mc 8, 2).

‚ÄúSempre me pareceu l√≥gico ‚Äď e me cumulou de alegria ‚Äď que a Sant√≠ssima Humanidade de Jesus Cristo subisse √† gl√≥ria do Pai. Mas penso tamb√©m que esta tristeza, pr√≥pria do dia da Ascens√£o, √© uma manifesta√ß√£o do amor que sentimos por Jesus, Senhor Nosso. Sendo perfeito Deus, Ele se fez homem, perfeito homem, carne da nossa carne e sangue do nosso sangue. E separa-se de n√≥s, indo para o c√©u. Como n√£o hav√≠amos de notar a sua falta?‚ÄĚ16

Os Anjos dizem aos Ap√≥stolos que √© hora de come√ßar a imensa tarefa que os espera, e que n√£o devem perder um s√≥ instante. Com a Ascens√£o termina a miss√£o terrena de Cristo e come√ßa a dos seus disc√≠pulos, a nossa. E hoje, na nossa ora√ß√£o, √© bom que ou√ßamos de novo as palavras com que o Senhor intercede diante de Deus Pai por n√≥s: N√£o pe√ßo que os tires do mundo, do nosso ambiente, do nosso trabalho, da fam√≠lia..., mas que os preserves do mal17. Porque o Senhor quer que cada um no seu lugar continue a tarefa de santificar o mundo, para melhor√°-lo e coloc√°-lo aos seus p√©s: as almas, as institui√ß√Ķes, as fam√≠lias, a vida p√ļblica... Porque s√≥ assim o mundo ser√° um lugar em que se valoriza e se respeita a dignidade humana, em que se pode conviver em paz, com essa paz verdadeira que est√° t√£o ligada √† uni√£o com Deus.

‚ÄúRecorda-nos a festa de hoje que o zelo pelas almas √© um mandamento amoroso do Senhor: ao subir para a sua gl√≥ria, Ele nos envia pelo orbe inteiro como suas testemunhas. Grande √© a nossa responsabilidade, porque ser testemunha de Cristo implica, antes de mais nada, procurar comportar-se segundo a sua doutrina, lutar para que a nossa conduta recorde Jesus e evoque a sua figura amabil√≠ssima‚ÄĚ18.

Os que convivem ou se relacionam conosco devem aperceber-se da nossa lealdade, sinceridade, alegria, laboriosidade; temos de comportar-nos como pessoas que cumprem com retid√£o os seus deveres e sabem atuar como filhos de Deus nas pequenas situa√ß√Ķes de cada dia. As pr√≥prias normas correntes da conviv√™ncia, que para muitos n√£o passam de algo externo, necess√°rio apenas para o relacionamento social ‚Äď os cumprimentos, a cordialidade, o esp√≠rito de servi√ßo... ‚Äď devem ser fruto da caridade, manifesta√ß√Ķes de uma atitude interior de interesse pelos outros.

Jesus parte, mas permanece muito perto de cada um. De modo especial encontramo-lo no Sacr√°rio mais pr√≥ximo, talvez a menos de uma centena de metros do lugar onde vivemos ou trabalhamos. N√£o deixemos de procur√°-lo com freq√ľ√™ncia, ainda que na maioria das vezes s√≥ possamos faz√™-lo com o cora√ß√£o, para dizer-lhe que nos ajude na tarefa apost√≥lica, que conte conosco para estender a sua doutrina por todos os ambientes.

Os Apóstolos voltaram a Jerusalém em companhia de Santa Maria. Juntamente com Ela, esperam a chegada do Espírito Santo. Disponhamo-nos nós, nestes dias, a preparar a próxima festa de Pentecostes muito unidos a Nossa Senhora.

(1) Lc 24, 51; (2) cfr. Mt 28, 17; (3) cfr. Mt 16, 18; (4) Mt 28, 18; (5) At 1, 7 e segs.; (6) cfr. Ex 13, 22; Lc 9, 34 e segs.; (7) S√£o Jo√£o Cris√≥stomo, Homilias sobre os Atos, 2; (8) Jo 20, 17; (9) Josemar√≠a Escriv√°, Santo Ros√°rio, II¬ļ mist. glorioso; (10) S√£o Le√£o Magno, Homilia I sobre a Ascens√£o; (11) cfr. Jo 14, 2; (12) cfr. Apoc 5, 6; (13) Josemar√≠a Escriv√°, √Č Cristo que passa, n. 126; (14) S√£o Le√£o Magno, Serm√£o 74, 3; (15) At 1, 11; (16) Josemar√≠a Escriv√°, √Č Cristo que passa, n. 117; (17) Jo 17, 15; (18) Josemar√≠a Escriv√°, √Č Cristo que passa, n. 122.



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