Meditação diária de Falar com Deus, Francisco Fernández Carvajal
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Sexta-feira, 23 de Junho de 2017 





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Meditação diária de Falar com Deus

SEXTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA DEPOIS DE PENTECOSTES

48. SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Solenidade

‚Äď Origem e sentido da festa.

‚Äď O amor de Jesus por cada um de n√≥s.

‚Äď Amor reparador.

A devo√ß√£o ao Cora√ß√£o de Jesus j√° existia na Idade M√©dia. Como festa lit√ļrgica, aparece em 1675, ap√≥s as apari√ß√Ķes do Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque. Nestas revela√ß√Ķes, a Santa ganhou uma consci√™ncia extremamente viva da necessidade de reparar pelos pecados pessoais e de todo o mundo, e de corresponder ao amor de Cristo. A festa celebrou-se pela primeira vez em 21 de junho de 1686. Pio IX estendeu-a a toda a Igreja. Pio XI, em 1928, deu-lhe o esplendor atual.

Sob o s√≠mbolo do Cora√ß√£o humano de Jesus, considera-se sobretudo o Amor infinito de Cristo por cada homem; por isso, o culto ao Sagrado Cora√ß√£o ‚Äúnasce das pr√≥prias fontes do dogma cat√≥lico‚ÄĚ, como o Papa Jo√£o Paulo II exp√īs na sua abundante catequese sobre este mist√©rio t√£o consolador.

I. OS PROJETOS DO CORA√á√ÉO do Senhor permanecem ao longo das gera√ß√Ķes, para libertar da morte todos os homens e conservar-lhes a vida em tempo de pen√ļria1, lemos no come√ßo da Missa.

O car√°ter desta Solenidade que hoje celebramos √© duplo: de a√ß√£o de gra√ßas pelas maravilhas do amor de Deus e de repara√ß√£o, porque freq√ľentemente este amor √© pouco ou mal correspondido2, mesmo por aqueles que t√™m tantos motivos para amar e agradecer. A considera√ß√£o do amor de Jesus por todos os homens sempre foi o fundamento da piedade crist√£; por isso, o culto ao Sagrado Cora√ß√£o de Jesus ‚Äúnasce das pr√≥prias fontes do dogma cat√≥lico‚ÄĚ3. Por outro lado, recebeu um forte impulso da devo√ß√£o e piedade de numerosos santos a quem o Senhor mostrou os segredos do seu Cora√ß√£o amabil√≠ssimo, movendo-os a difundir esse culto e a fomentar o esp√≠rito de repara√ß√£o.

Numa sexta-feira da oitava da festa do Corpus Christi, o Senhor pediu a Santa Margarida Maria de Alacoque que promovesse o amor √† comunh√£o freq√ľente, sobretudo nas primeiras sextas-feiras de cada m√™s. Devia ser uma pr√°tica reparadora, e o Senhor prometeu-lhe faz√™-la participar ‚Äď nas noites dessa primeira quinta para sexta-feira de cada m√™s ‚Äď do seu sofrimento no Horto das Oliveiras. Tornou a aparecer-lhe um ano mais tarde e, mostrando-lhe o seu Cora√ß√£o Sacrat√≠ssimo, dirigiu-lhe estas palavras, que t√™m alimentado a piedade de tantas almas: Olha este Cora√ß√£o que tanto amou os homens e que a nada se poupou at√© esgotar-se e consumir-se para lhes manifestar o seu amor; e em reconhecimento, Eu n√£o recebo da maioria dos homens sen√£o ingratid√Ķes pelas suas irrever√™ncias e sacril√©gios e pela frieza e desprezo com que me tratam neste sacramento de amor. Mas o que mais me d√≥i √© ver-me tratado assim por almas que me est√£o consagradas. Por isso te pe√ßo que se dedique a primeira sexta-feira depois da oitava do Sant√≠ssimo Sacramento a uma festa particular destinada a honrar o meu Cora√ß√£o, comungando nesse dia e desagravando-me com algum ato de repara√ß√£o...

Em muitos lugares, existe o costume privado de desagravar o Sagrado Coração de Jesus com algum ato eucarístico ou com a recitação das ladainhas do Sagrado Coração, na primeira sexta-feira de cada mês. Além disso, “o mês de junho é especialmente dedicado à veneração do Coração divino.

N√£o apenas um dia ‚Äď a festa lit√ļrgica cai normalmente dentro do m√™s de junho ‚Äď, mas todos os dias do m√™s‚ÄĚ4.

O Cora√ß√£o de Jesus √© fonte e express√£o do seu infinito amor por cada homem, seja qual for a sua situa√ß√£o: Eu mesmo ‚Äď diz um bel√≠ssimo texto do profeta Ezequiel ‚Äď cuidarei das minhas ovelhas e velarei por elas. Assim como o pastor se preocupa com o seu rebanho, quando v√™ as ovelhas dispersarem-se, assim eu me preocuparei com o meu; eu o reconduzirei de todos os lugares por onde se tenha dispersado num dia de nuvens e de trevas5. Cada um de n√≥s √© uma criatura que o Pai confiou ao Filho para que n√£o pere√ßa, ainda que tenha ido para longe.

Jesus, Deus e Homem verdadeiro, ama o mundo com ‚Äúcora√ß√£o de homem‚ÄĚ6, um Cora√ß√£o que serve de vaz√£o ao amor infinito de Deus. Ningu√©m nos amou mais do que Jesus, ningu√©m nos amar√° mais. Ele me amou e se entregou por mim7, diz S√£o Paulo, e cada um de n√≥s pode repeti-lo. O seu Cora√ß√£o est√° repleto do amor do Pai: repleto √† maneira divina e ao mesmo tempo humana.

II. O CORA√á√ÉO DE JESUS amou como nenhum outro; experimentou alegria e tristeza, compaix√£o e pena. Os Evangelistas anotam com muita freq√ľ√™ncia: Tinha compaix√£o da multid√£o8,tinha compaix√£o deles, porque eram como ovelhas sem pastor9. O pequeno √™xito dos Ap√≥stolos na sua primeira miss√£o evangelizadora fez com que Jesus se sentisse como n√≥s quando recebemos uma boa not√≠cia: Encheu-se de alegria, diz S√£o Lucas10; e chora quando a morte lhe arrebata um amigo11.

Tamb√©m n√£o ocultou as suas desilus√Ķes: Jerusal√©m, que matas os profetas! [...] Quantas vezes eu quis reunir os teus filhos...12 Jesus v√™ a hist√≥ria do Antigo Testamento e de toda a humanidade: uma parte do povo judeu e dos gentios de todos os tempos rejeitar√° o amor e a miseric√≥rdia divina. De alguma maneira podemos dizer que Deus chora com os seus olhos humanos por causa do sofrimento que aflige o seu cora√ß√£o de homem. E este √© o significado real da devo√ß√£o ao Sagrado Cora√ß√£o: traduzir-nos a natureza divina em termos humanos. N√£o foi indiferente para Jesus ‚Äď n√£o lhe √© agora no nosso trato di√°rio com Ele ‚Äď ver que uns leprosos n√£o voltavam para agradecer-lhe a cura, ou que um anfitri√£o omitia as mostras de delicadeza ou hospitalidade que se t√™m com um convidado, como dir√° a Sim√£o o fariseu. Em contrapartida, experimentou em muitas ocasi√Ķes a imensa alegria de ver que algu√©m se arrependia dos seus pecados e o seguia, ou a generosidade dos que deixavam tudo para segui-lo, e contagiou-se com a alegria dos cegos que come√ßavam a enxergar, talvez pela primeira vez.

Antes de celebrar a Última Ceia, ao pensar que ficaria para sempre conosco mediante a instituição da Eucaristia, manifestou aos seus mais íntimos: Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco, antes de padecer13; emoção que deve ter sido muito mais profunda quando tomou o pão, deu graças, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: Isto é o meu Corpo...14 E quem poderá explicar os sentimentos do seu Coração amabilíssimo quando nos deu no Calvário a sua Mãe como Mãe nossa?

Mal expirou, um dos soldados atravessou-lhe o lado com uma lan√ßa, e imediatamente saiu sangue e √°gua15. Essa ferida recorda-nos hoje o imenso amor que Jesus tem por n√≥s, pois derramou voluntariamente at√© a √ļltima gota do seu precioso Sangue por cada um de n√≥s, por mim, como se n√£o houvesse mais ningu√©m no mundo. Como n√£o havemos de aproximar-nos dEle com confian√ßa? Que mis√©rias humildemente reconhecidas podem impedir o nosso amor?

III. DEPOIS DA ASCENS√ÉO AOS C√ČUS com o seu Corpo glorioso, Jesus n√£o cessa de amar-nos, de chamar-nos para que vivamos sempre muito perto do seu Cora√ß√£o amabil√≠ssimo. ‚ÄúMesmo na gl√≥ria do C√©u, ostenta nas feridas das suas m√£os, dos seus p√©s e do seu lado os resplandecentes trof√©us da sua tr√≠plice vit√≥ria: sobre o dem√īnio, sobre o pecado e sobre a morte; traz, al√©m disso, no seu Cora√ß√£o, como numa arca precios√≠ssima, os imensos tesouros dos seus m√©ritos, fruto da sua tr√≠plice vit√≥ria, que agora distribui generosamente pelo g√™nero humano j√° redimido‚ÄĚ16.

Hoje, nesta Solenidade, adoramos o Cora√ß√£o Sacrat√≠ssimo de Jesus ‚Äúcomo participa√ß√£o e s√≠mbolo natural ‚Äď o mais expressivo ‚Äď daquele amor inexaur√≠vel que o nosso Divino Redentor sente ainda hoje pelo g√™nero humano. J√° n√£o est√° submetido √†s perturba√ß√Ķes desta vida mortal; no entanto, vive e palpita e est√° unido de modo indissol√ļvel √† Pessoa do Verbo divino, e nela e por ela, √† sua divina vontade. E porque o Cora√ß√£o de Cristo transborda de amor divino e humano, e porque est√° cheio dos tesouros de todas as gra√ßas que o nosso Redentor adquiriu pelos m√©ritos da sua vida, padecimentos e morte, √©, sem d√ļvida, a fonte perene daquele amor que o seu Esp√≠rito comunica a todos os membros do seu Corpo M√≠stico‚ÄĚ17.

Ao meditarmos hoje sobre o amor que Cristo tem por nós, sentir-nos-emos movidos a agradecer profundamente tanto dom, tanta misericórdia imerecida. E ao vermos como muitos vivem de costas para Deus, como nós mesmos não somos muitas vezes plenamente fiéis, que são muitas as nossas fraquezas, iremos ao seu Coração amabilíssimo e ali encontraremos a paz. Teremos que recorrer muitas vezes ao seu amor misericordioso em busca dessa paz, que é fruto do Espírito Santo: Cor Iesu sacratissimum et misericors, dona nobis pacem, Coração sacratíssimo e misericordioso de Jesus, dai-nos a paz.

E a certeza de que Jesus est√° t√£o perto das nossas preocupa√ß√Ķes e dos nossos problemas e ideais levar-nos-√° a dizer-lhe: ‚ÄúObrigado, meu Jesus!, porque quiseste fazer-te perfeito Homem, com um Cora√ß√£o amante e amabil√≠ssimo, que ama at√© √† morte e sofre; que se enche de gozo e de dor; que se entusiasma com os caminhos dos homens e nos mostra aquele que conduz ao C√©u; que se submete heroicamente ao dever e se guia pela miseric√≥rdia; que vela pelos pobres e pelos ricos; que cuida dos pecadores e dos justos... ‚Äď Obrigado, meu Jesus, e d√°-nos um cora√ß√£o √† medida do Teu!‚ÄĚ18

Muito perto de Jesus, encontramos sempre a sua Mãe. Recorremos a Ela ao terminarmos a nossa oração e pedimos-lhe que torne firme e seguro o caminho que nos conduz ao seu Filho.

(1) Sl 32, 11.19; Antífona de entrada da Missa da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus; (2) cfr. A. G. Martimort, La Iglesia en oración, pág. 97; (3) Pio XII, Enc. Haurietis aquas, 15-V-1956, 27; (4) João Paulo II,Angelus, 27-VI-1982; (5) Ez 34, 11-16; Primeira leitura, ib., ciclo C; (6) Conc. Vat. II, Const. Gaudium et spes, 22; (7) Gal 2, 20; (8) Mc 8, 2; (9) Mc 6, 34; (10) Lc 10, 21; (11) cfr. Jo 11, 35; (12) Mt 23, 17; (13) Lc 22, 15; (14) cfr. Lc 22, 19-20; (15) Jo 19, 34; (16) Pio XII, op. cit., 22; (17) ib.; (18) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 813.



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